Vocalista da banda Capital Inicial fala do acidente em 2009 e do novo CD, "mais cru", que será lançado este ano
Dinho Ouro Preto ainda se incomoda com as lembranças da madrugada de 1º de novembro de 2009, quando caiu do palco durante um show
em Patos de Minas. "Acho um saco continuar falando do meu acidente, mas não tenho como evitar. As consequências continuam presentes na
minha vida", escreveu, no blog do Capital Inicial. Os fãs do vocalista, portanto, devem se preparar para conviver por mais algum tempo com o trauma recente do ídolo. No novo álbum da banda, as sequelas físicas do vocalista, 45 anos, inspiram músicas como Ressurreição, Melhor e
Vivendo e aprendendo. "Tudo o que acontece comigo acaba aparecendo nas minhas canções", admite, na primeira entrevista ao Correio desde o episódio dramático que despertou uma nova fase - mais cuidadosa, acima de tudo - no cotidiano de um dos roqueiros mais populares do país.
No período de um mês que passou internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde superou um quadro leve de traumatismo craniano, Dinho refletiu sobre a família, os amigos e o futuro do Capital Inicial, que retorna em formato totalmente remodelado, "mais cru" e, segundo o compositor, intenso. A temporada de recuperação, no entanto, se revelou penosa. Com a voz fragilizada, desacostumada à rotina de turnês,
aceitou (duramente) a ideia de gravar apenas uma canção por dia -costumava bater a marca das três músicas a cada
sessão. Depois da queda - que fraturou três costelas, trincou seis vértebras e machucou os rins, a cabeça, os dentes e o queixo do músico -, apareceu em janeiro no São Paulo Fashion Week e, em fevereiro, participou de um programa da Globo News em homenagem a Renato
Russo. Em abril, pretende retornar ao circuito de shows. Com certa parcimônia. "Para ser franco, não tenho muito controle sobre o que
acontece no palco. Eu me entrego", reconhece.
Após o acidente, o que mudou no seu cotidiano?
O mês inteiro de novembro passado ainda é nebuloso pra mim. Tomei remédios numa escala industrial até o fim de
janeiro. Mas, eventualmente, fui melhorando. Embora o processo de superação ainda não tenha acabado, posso dizer que, fisicamente, o
acidente ficou para trás. Minha recuperação exigiu determinação e paciência, e em vários momentos percebi uma obsessão da minha parte. Fiz fisioterapia com regularidade e obstinação. Talvez o perigo de uma situação como essa é você se ver completamente e unicamente envolvido
com o seu trauma. Não me entenda mal, sei que em vários casos isso se justifica e até se faz necessário. Mas eu precisava olhar para o
futuro, pensar que aquilo um dia seria deixado para trás.
Você refletiu sobre alguma atitude especificamente?
Passei muito tempo reavaliando minha vida, minhas amizades e minha carreira. Eu atravessei os últimos 12 anos nas estradas e nos aeroportos
do Brasil com o Capital. E, mesmo um acidente não sendo a melhor maneira de forçar férias, eu precisava parar um pouco. Tenho a sorte de
ter uma família muito próxima e presente, e aproveitei cada minuto saciando minha saudade acumulada. Não era uma preocupação, era uma
fonte de alegria no meio da dor. Mas foram as coisas mais presentes (nesse período): recuperação e família.
Quando você começou a planejar o retorno à banda?
Acho que assim que a dor passou. Eu sou meio maníaco obsessivo compulsivo. Então faço uma pequena correção na resposta anterior:
recuperação, família e Capital.
No seu blog, você anuncia grandes transformações para o Capital Inicial em 2010. Quais são os planos?
Um acidente pode ser transformador. Eu tenho a impressão que essa experiência me deu coragem. Coragem para enfrentar desafios. Estou
disposto a encarar as dificuldades inerentes à mudança. E não serã o poucas - elas vão envolver tudo. Primeiro nós procuramos um novo
produtor. Trabalhamos com um cara chamado David Corcos. Nós o procuramos para deixar nosso som "mais cru". O Capital não deu as
costas aos fãs ou à sua história, mas achamos que temos mais vigor ao vivo, e tentamos capturar isso no disco novo. Acho que faz tempo
que não produzíamos algo assim.
Os shows também mudam?
Muda o conceito. Apostávamos deliberadamente num clima anos 1970, meio Kiss ou AC/DC. Na nova turnê, vamos tentar nos entender com a tecnologia. Como consequência, teremos novos cenógrafos. Passamos a nos empresariar. A arte e as fotos da capa vão ser entregues a novos artistas. Passamos a apostar definitivamente na internet como nosso principal meio de comunicação. Mudamos o relacionamento com a
gravadora. E há outras coisas, ainda em desenvolvimento, que as pessoas verão com o tempo.
O acidente foi decisivo na decisão sobre essas mudanças?
Sim. Não quero cuspir no prato em que comi, então muitos fundamentos (do Capital Inicial) continuam inalterados. Continuamos sendo uma
banda de Brasíliia cujo lema é a simplicidade. Quero que qualquer garoto possa tocar nossas músicas. Não quero fazer letras herméticas,
quero me fazer entender. No novo disco, os fãs vão nos reconhecer. Mas eu quero me reaproximar da banda. Voltar a trabalhar em grupo.
Eu sei que parece óbvio, mas nos últimos trabalhos eu aparecia com tudo pronto e dizia: "É isso, vamos gravar." Pretendo que todos participem
mais e, com isso, tragam entusiasmo.
Você pensa em mudar sua atitude no palco?
Tomar mais cuidado, com certeza. Mas no palco nós literalmente nos entregamos. Para ser franco, não tenho muito controle sobre o que
acontece. Mesmo com o risco de um acidente, acho que a espontaneidade é uma virtude do Capital.
Qual é a proposta do novo trabalho?
Já terminamos (o disco). Eu gostaria que ele fosse percebido como uma volta às origens, pelo fato de não ter muita produção.
Todas as músicas são suas, em parceria com o Alvin L?
Uma grande parte sim, mas o Yves (Passarel, guitarrista) também participou. Também compus com o irmão dele, o Pitt. E o Robledo (Silva),
nosso tecladista, fez uma música superbacana.
Os últimos acontecimentos revigoraram o compositor Dinho Ouro Preto?
Eu tô num momento meio "raízes". Tenho voltado a ouvir muitas bandas que eu ouvia com 13 ou 14 anos. Muito Led (Zeppelin), Queen e
Aerosmith. Tudo o que eu parei de ouvir com o punk. Se bem que também tenho ouvido muito Clash. Gosto de bandas novas ou quase novas,
como White Stripes e Muse, mas o passado ainda me parece insuperado. Como compositor fico atento ao que está acontecendo, mas muita
coisa me parece releitura. Acho que tudo na minha vida acaba aparecendo nas minhas canções, e algo tão intenso quanto meu acidente vai estar presente também. Esse episódio todo me deixou mais reflexivo e, por consequência, as letras do disco novo estão um pouco mais introvertidas também.
Pretende passar mais tempo em casa, descansando?
Sim. Volto para a estrada em abril, mas já estou com saudades de casa. Eu amo tocar e tenho a sorte e o privilégio de viver de música. Quero
poder continuar minha carreira: fazer shows e discos. Me acostumei a ser um nômade, mas esses meses em casa foram transformadores. Quero
fazer turnês mais curtas.
Como é tocar para um público que ouve bandas adolescentes como NXZero e Fresno?
Temos a sorte de ver o nosso público se renovando. Não queremos viver do nosso passado, e sim dos discos novos. Acho que se você se concentrar no futuro, vai ser percebido como um artista vivo que tem algo a dizer, a apresentar. Você tem que olhar sempre pra frente. É
como aquela história bíblica, olhou pra trás virou uma estátua de sal. E nos comunicamos com esse público com naturalidade, afinal somos adolescentes faz muito tempo... muito mais tempo que eles.
Qual é o papel do Capital no rock em 2010?
Acho gozado, mas estamos virando um a espécie de banda "clássica". Parece pretensioso, mas quando você consegue ficar tanto tempo com a cabeça acima d\'água, você acaba entrando para outra categoria. No Brasil, bandas não costumam chegam até esse momento, em geral
terminam antes. É uma novidade com poucos precedentes - Os Mutantes e outros poucos. Eu tenho a impressão de que, no Brasil, muitos
músicos acabam se afastando do rock. Ficam mais românticos ou populares. Parece que rock é um momento da adolescência, um momento que eventualmente passa quando eles crescem.
E isso acontece com outros gêneros musicais?
É curioso, mas não. O cara que faz MPB, faz MPB para a vida toda. O cara que faz jazz, faz jazz para a vida toda. No entanto, com o rock,
em algum momento parece que o sujeito desencana. Acha desapropriado ou pueril. No exterior, é comum ver bandas seguindo a carreira por décadas. Mesmo sem fazer mais sucesso, mesmo sem tocar mais no rádio, mesmo sem aparecer mais na tevê, eles continuam. Rock brasileiro é minha vida. É quase uma causa; uma causa à qual dediquei décadas. Comecei a ouvir rock com 12 anos e não tenho a mais remota intenção de parar.
Jornal Correio Braziliense
Irlam Rocha Lima
Tiago Faria
A minha vida as vezes parece uma novela. Daquelas das oito ,bem dramáticas. Capítulo de final de ano: acidente. E agora, será que o cara tão
cheio de energia vai se recuperar? Não perca os próximos capítulos. Nossa, o cara pegou uma infecção hospitalar, mesmo que escape, ele não
será mais o mesmo. Confira amanhã. Mas chega dessa novela, é melodrama demais pra ser verdade. Tô de saco cheio. Acho que na verdade tô
de saco cheio de não dar shows. Tô morrendo de tédio. Passei a maior parte da minha vida na estrada e me acostumei a ser nômade. Quero
que minha vida volte ao caos normal. Mas em Abril estamos de volta. Yeah!
E o primeiro passo já foi dado: acabamos o disco. Obá! Quando acaba um disco, eu sinto duas coisas. Primeiro um alívio, como se eu tivesse
posto um ovo. E depois um frio na barriga…”ai meu Deus, será que ficou bom?”. Produzir um disco, assim como um livro , ou um quadro não
é tão difícil, afinal de contas vc vai preparando o trabalho meses antes de entrar no estúdio. O problema é terminar, dar por acabado. Se vc
tiver a possibilidade, a chance, não acaba nunca. Ah, essa frase poderia ter ficado melhor. Hmmm, será que essa rima não é obvia. E por aí vai….Sim, a verdade é que nunca fica perfeito, mas a imperfeição é uma das maiores caracteristicas humanas. Mas, voltando ao que
interessa ,dessa vez tivemos muito tempo. Meses. O que acabou sendo uma tortura, porque a cada semana eu queria voltar lá e reescrever
tudo. Eu só não sei se a tortura era pior pra mim, ou pras pessoas em volta de mim. Como eu vinha de um acidente, acho que todos
tentavam ser bonzinhos comigo. “Olha Dinho, não tá ruim, vc não é o pior vocalista da Terra.” Eles eram capazes de dizer qualquer coisa
pra me fazer ir embora. Mas era inúti, no dia seguinte tudo recomeçava. Acho que no final eu já fazia só de sacanagem. Devo ter algo de
sádico, porque comecei a gostar de ver a cara deles com aquela expressão…”meu Deus, o que será que ele vai refazer hoje ?”.
Mas, tudo que é bom dura pouco, e não teve jeito, o disco terminou. São onze canções. Um disco curto.
Foto:Maurício Santana (Grudaemmim)
Quando inventaram o CD, as bandas ficaram embevecidas. Nossa, eu posso fazer um disco de duas horas, oba! Mas o tempo foi passando a todos começaram a perceber que quase ninguém tinha paciência de chegar até a última música. E olha que isso acontecia mesmo com bandas que eu amava. Mas fala aí, as vezes o que é bacana num bom livro ou filme, é que ele flui. Ele tem começo meio e fim. Quando o meio não acaba mais, o que começou maravilhosamente acaba sendo um tédio. Teria sido melhor dividir em dois. Ainda mais hoje, com uma avalanche de informação, é preciso ser mais conciso. Eu reparei que várias bandas tem feito discos mais curtos. Killers, Kings of Leon, Muse, White Stripes….
É gozado, parece que o mundo da música sempre caminha pra excessos. Eles acabam sendo corrigidos, mas leva algum tempo. Nos anos setenta, os progressivos. Nos anos oitenta, os new romantics, Nos anos noventa, os discos intermináveis. Mas o equilibrio parece ter voltado. Só o necessário é gravado, sem excessos, nem auto indulgência.
Mas chega de ficar viajando sobre como discos devem ser feitos porque na verdade não existe regra alguma. Você pode fazer um disco curto horrível, e um disco de horas e horas magnífico.
E é aí o xis da questão. Como saber se o que vc fez é bom? No fim, o único critério é o seu gosto. Não adianta mostrar pra um monte de gente. Na maioria das vezes, mesmo que odeiem, vão dizer que é bacana porque sabem a importância que aquilo tem pra vc. Ou são pessoas próximas ou fãs, que gostam mesmo, mas vc não sabe se gostam da música ou de vc. A opção seria mostrar pra alguém que odeia vc e sua música. Se bem que nesse caso, mesmo que vc aparecesse com o Nevermind, ele acharia péssimo. Então é melhor fingir que esse cara não existe.
Enfim, no final, um disco é uma coisa meio solitária, assim como qualquer outro tipo de obra artística. Embora, no nosso caso, seja feito uma produção em grupo, não há como saber como ele vai ser acolhido. Não faz diferença que todos os envolvidos gostem. Somos todos suspeitos. A lição portanto, que os anos me ensinaram é faça pra vc mesmo. Assim mesmo, egoísta. Se algo der errado, vc sai feliz assim mesmo.
E assim foi feito. Acho que é o melhor disco que já fizemos. Espero que vcs percebam as diferenças que procuramos introduzir. Tomara que as letras façam sentido. Resumindo, espero que vcs gostem tanto quanto eu. Tive meses pra revisar tudo, e está como eu quero. Como eu disse , eu sempre poderia mudar algo, mas tenho que largar o disco. Pronto, agora ele é de vcs. Divirtam-se e aumentem o volume.
Dinho Ouro Preto vai à SPFW e espera estar '100%' até março.
Recuperado do acidente que o deixou internado por quase um mês por conta de uma queda no palco, o vocalista da banda Capital Inicial,
Dinho Ouro Preto, foi à Galeria do Rock, neste domingo (17), para assistir ao desfile da grife Cavalera, que abre o calendário oficial da
São Paulo Fashion Week - Inverno 2010.
"Não sinto mais dor. Claro que não posso correr nem fazer atividades de alto impacto, mas já tenho tocado", declarou o músico ao G1. Segundo
ele, a banda já tinha em seus planos tirar férias entre janeiro e fevereiro. "Voltaremos aos ensaios em março. Até lá, espero estar 100%."
Enquanto não retorna às atividades com a banda, Dinho diz que criou outro hábito: o de escrever cartas. "São cartas muito longas e algumas
delas tenho publicado em meu site. Outro dia uma menina me mandou um e-mail e eu dei uma resposta gigante. Era aniversário dela. Ela
respondeu toda emocionada, não acreditando que eu mesmo tinha escrito aquela carta." Dinho também afirmou que tem escrito várias músicas. "Algumas letras eu nem sei no que vai dar."
O vocalista do Capital diz que é fã da marca Cavalera há bastante tempo. "Foi uma marca que começou menor do que qualquer loja dessa
galeria e hoje é referência no streetwear nacional", lembra. "Conheço os envolvidos há muito tempo e eles sempre apoiaram as bandas de
rock que estavam começando a carreira, dando camisetas e peças de roupa."
Além de Dinho na fila A da Cavalera, o desfile terá na passarela o titã Paulo Miklos como modelo e o ex-baterista da banda Sepultura Iggor Cavalera fazendo a trilha sonora ao vivo.
Dolores Orosco
Do G1, em São Paulo. / Foto: Daigo Oliva/G1
Ao longo dos últimos dois meses, acabei escrevendo três textos. Como a maioria de vocês sabem, o motivo, em princípio, era dizer às
pessoas o que estava acontecendo comigo depois do meu acidente. As cartas acabaram provocando um intercâmbio inesperado. Para minha supresa, um monte de gente escreveu comentando os textos. Não sei se vou conseguir manter esse hábito, mas vou fazer ao menos uma tentativa.
Esse ano foi peculiar; tudo começou bem, ou ao menos “normalmente”. Mesmo uma banda acaba tendo um rotina, e a nossa é viajar, compor, gravar e fazer shows. Não me entendam mal, não nos aborrecemos em momento algum; nunca é tedioso, e mesmo que façamos cento e vinte
shows num ano, sempre é divertido e diferente. A turnê do disco Ao vivo estava programada para ir até dezembro, quando completaria um
ano e oito meses, e minha concetração já estava toda voltada para as composições do disco novo.
Quando começamos a escrever, um anos atrás, não tínhamos idéia de quantas canções viriam a ser gravadas. O Alvin e eu trabalhamos juntos
há muitos anos, e ao longo desse tempo aprendemos a nos conhecer bem. Quando o cara pensa numa frase, eu completo antes que ele termine. Acho que compor em parceria é sempre melhor quando os músicos se conhecem bem. Eu digo isso porque muitas vezes você fica meio envergonhado de mostrar algo inacabado pra alguém. Quando se tem um bom amigo trabalhando contigo, você perde um pouco o medo do
ridículo e diz tudo que te vem à cabeça, por mais absurdo ou engraçado que pareça.
Isso só é divertido se no final você consegue ter o bom senso de perceber o que é bacana e o que não é, o que infelizmente, eu reconheço, nem sempre acontece. Também escrevi duas músicas com o Pitt, irmão do Yves, minha primeira parceria com ele, embora já tenhamos gravado várias músicas dele. Ao todo, entre Alvin, Pitt, Yves, e Robledo, acabamos escrevendo umas vinte canções.
Os ensaios começaram em agosto, e a gravação estava marcada para o começo de novembro. Uma semana antes do começo, eu caio do
palco e me quebro todo. No começo não entendi a gravidade do que tinha me acontecido, e achei que em dezembro já estaria tocando de novo. Suspeito que não me diziam tudo pra que eu não entrasse em pânico, o que foi uma decisão acertada porque ficar preso a uma cama num
hospital por um mês é apavorante.
Quando meu suplício começou chegaram a me perguntar se eu queria que o disco fosse adiado, mas eu achei que estávamos muito ensaiados, e parar faria tudo começar do zero quando eu me recuperasse. E pronto, assim tudo continuou como se nada tivesse acontecido, e eu acabei acompanhando a gravação da cama do hospital via skype.
O produtor é um cara chamado David Corcos, produtor de discos do Marcelo D2, Planet Hemp e Seu Jorge. Achamos que era hora de gravar
com um cara novo, de procurar uma outra sonoridade, e a escolha não poderia ter sido melhor. O David merece um longo texto só sobre ele,
então essa fica pra depois. Eu só quero acabar essa parte dizendo que eu acho que ele fez o melhor disco do Capital, mas quem vai dizer se eu
tenho razão são vocês.
Voltando ao meu acidente; mesmo tendo falado muito sobre ele, todo mundo que me encontra quer saber de algum detalhe, e por mais que eu
queira virar a pagina e deixar esse assunto pra trás, ele parece se recusar a ser esquecido. É verdade quando dizem que experiências como essa
são transformadoras, e mesmo que a produção do disco já tivesse sido decidida antes do acidente, a mudança de produtor não poderia estar
mais em sintonia com o que venho sentindo agora.
Quero que 2010 seja diferente para o Capital. Quero mudar muita coisa e quero poder surpreender as pessoas. O Capital já tem uma
personalidade definida e acho que tentar mudar isso seria um erro.
Vocês conseguém imaginar o Capital reaparecendo eletrônico ou metal? Todo mundo ia odiar, pricipalmente os fãs, mas nós também. Mesmo
assim muita coisa pode mudar. E esse é o desafio pra nossa banda no disco novo e na nova turnê: sermos criativos sem perder nossa identidade.
Esse foi um ano duro pra mim. Trabalhei o ano inteiro compondo e dando shows e no final me esborracho todo. Espero que de algum modo isso tudo possa me trazer algo de bom. Até agora, aprendi muito sobre gratidão, generosidade e paciência, mas eu estou curioso pra ver que consequencia isso vai ter para o meu trabalho. Não consigo dizer que esse foi um bom ano; eu passei pelo momento mais difícil da minha vida até hoje.
Confesso estar contente de ver o ano chegando ao fim.
Chega de 2009 e que todos nós possamos ter um ano melhor em 2010.
Atualizada em 10/12/2009
17:53 - Dinho Ouro Preto tem recuperação rápida, revela Zeca Camargo
Vocalista do Capital Inicial concedeu sua primeira entrevista após sair do hospital ao “Fantástico”, da TV Globo
O vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, concedeu sua primeira entrevista após sofrer uma queda do palco durante um show na cidade mineira de Patos de Minas, no dia 31 de outubro. O músico falou com Zeca Camargo,
pro “Fantástico”, que revelou a ótima recuperação do artista.
Dinho estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, desde o dia 1º de novembro e só teve alta no último dia 30. Durante a entrevista ao “Fantástico”, o vocalista do Capital Inicial disse que o apoio dos fãs foi fundamental
para sua recuperação.
O vocalista teve quadro leve de traumatismo craniano e sofreu algumas fraturas nas costelas. Zeca Camargo
conversou com Dinho na casa do cantor. “Transparente sobre o que aconteceu com ele e feliz de estar se
recuperando rápido, tivemos uma conversa bem gostosa e divertida - e em vários momentos esquecíamos que estávamos falando de algo tão sério quanto os sustos que ele passou," disse Zeca ao site do “Fantástico”.
A entrevista completa de Dinho Ouro Preto ao “Fantástico” vai ao ar no próximo domingo (13).
O vocalista da banda Capital Inicial, Fernando Ouro Preto (Dinho Ouro Preto), recebeu alta nesta
segunda-feira (30/11), às 12h40, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internado desde 01 de novembro, com leve traumatismo craniano, fraturas nas costelas, além de quadro infeccioso.
O paciente evoluiu bem e continuará sendo acompanhado em nível ambulatorial pelas equipes que o assistiram, coordenadas pelos doutores David Uip e Nabil Mitre.
Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira Dr. Riad Younes
Diretor Técnico Hospitalar Diretor Clínico
Me desculpem por sumir por tanto tempo, mas eu passei por momentos muito difíceis. Provavelmente
os mais difíceis da minha vida. Até ontem, eu não conseguia ler ou escrever. As cartas anteriores
foram ditadas. Nada poderia ter me preparado para algo assim.
Numa fração de segundo, o acidente, depois semanas de recuperação lenta e dolorosa. Em um
momento você se acha dono do mundo, capaz de fazer o que lhe vier a cabeça. No momento
seguinte, você não sai da cama sozinho. Eu tive que me adaptar a uma nova condição. Eu acredito,
e os médicos também, que voltarei a ser quem eu era. Porém, passar por algo assim, sem alguma transformação é impossível. Meu corpo vai voltar a ser como era, mas acho que vou ficar
com “marcas” emocionais pra sempre.
Não quero parecer com alguém que tenha pena de si, muito pelo contrário, estou cercado
de pessoas muito mais machucadas do que eu. No entanto, durantes minhas semanas de
internação fui tratado com respeito, compaixão e bondade. Essas palavras sempre me comoveram,
mas agora eu sinto muita vontade de poder passar isso adiante. Não acho
que eu fosse arrogante ou indiferente, mas tenho pensado muito no meu comportamento.
Dentro de um hospital, depois de alguns dias, você experimenta momentos que se aproximam
do pânico. Sente-se muito medo e solidão. Há tempo de sobra pra introspecção. Se tudo der certo,
vou pra casa na semana que vem. Estou muito
curioso pra ver se quando voltar pra casa, me
sentirei diferente de quando entrei.
Ao longo da minha hospitalização recebi mensagens, telegramas, telefonemas e flores do Brasil todo.
Da minha família, amigos, colegas, fãs e também de muito desconhecidos. Todos profundamente comoventes. Fico pensando em como agradecer ou retribuir, mas não há como. Mesmo assim,
gostaria que essas pessoas soubessem que seus gestos e palavras foram determinantes
na minha recuperação.
Obrigado.
Um outro bom momento foi a atitude do Capital, a banda na qual eu toco a tantos anos. A solidariedade deles me surpreendeu pela falta de limite. O carinho com o qual me trataram foi algo que nunca esquecerei.
Acho essa postura, de estarem tão presentes, me encheu de confiança neles. Tanta confiança, que fizemos algo inédito na nossa carreira, eles começaram o disco novo sem mim.
Tínhamos ensaiado muito, estava tudo no lugar e meu acidente foi poucos dias antes da data marcada para o início das gravações. Me foi perguntado se eu queria adiar tudo, mas achei melhor deixar nas
mãos da banda. Eu acompanhei de longe, via skype. Estamos trabalhando com um novo produtor,
um cara chamado David Corcos, que merece cada gota da confiança que demos a ele. Acho que os
fãs do Capital vão gostar muito desse disco.
Nós estamos adorando e faz muito tempo que não tomamos tanto cuidado com tudo. Da primeira à
última palavra, dos timbres, a cada nota dos solos. Estamos trabalhando nesse projeto hà mais de
um ano, e mesmo um acidente como o meu não deveria fazê-lo parar. The show must go on. Essa convicção foi outro remédio, mais forte do qualquer coisa que tenham me dado.
Pequena curiosidade para os superticiosos: caí do palco no dia das bruxas e peguei a grave infecção
que prolongou miha internação na sexta-feira treze. Que medo, ahahaha.
O vocalista da banda Capital Inicial, Fernando Ouro Preto (Dinho Ouro Preto),
segue internado no Hospital Sírio-Libanês (HSL), em São Paulo,
na Unidade Crítica Geral (ala de cuidados semi-intensivos).
O paciente apresenta melhoras progressivas, com previsão de alta para a próxima semana.
Fernando Ouro Preto deu entrada no HSL na manhã de 01/11, com quadro de leve
traumatismo craniano e fraturas nas costelas.
A equipe médica que o acompanha é coordenada pelos Drs. David Uip e Nabil Mitre.
Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira Dr. Riad Younes
Diretor Técnico Hospitalar Diretor Clínico
Dinho Ouro Preto recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), hoje (18/11), e foi transferido para a
Unidade Crítica Geral (Semi-Intensiva) do Hospital Sírio-Libanês.
O paciente evoluiu bem e dará continuidade ao tratamento de quadro infeccioso.
A equipe médica que o acompanha é coordenada pelos Drs. David Uip e Nabil Mitre.
Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira Dr. Riad Younes
Diretor Técnico Hospitalar Diretor Clínico
Olá,
Sou a assessora do Presidente da Escola de Samba Tom Maior, pertencente ao grupo de elite do
carnaval de São Paulo. Estou entrando em contato para dizer que a Tom Maior irá prestar uma homenagem
tema enredo os 50 Anos de Brasília. Sendo o Capital Inicial uma banda de grande prestígio e renome,
oriunda de Brasília, não poderíamos deixar de homenageá-la em nosso desfile.
Estarei a sua inteira disposição para esclarecer quaisquer dúvidas que possam surgir.
Obrigada
Um grande abraço.
O vocalista da banda Capital Inicial, Fernando Ouro Preto (Dinho Ouro Preto), segue internado, desde a última sexta-feira (13/11), na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo,
para tratamento de quadro infeccioso.
O paciente evolui satisfatoriamente.
Fernando Ouro Preto deu entrada no HSL na manhã de 01/11, com quadro de leve traumatismo craniano e fraturas
nas costelas.
A equipe médica que o acompanha é coordenada pelos Drs. David Uip e Nabil Mitre.
Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira Dr. Riad Younes
Diretor Técnico Hospitalar Diretor Clínico
O vocalista da banda Capital Inicial, Fernando Ouro Preto (Dinho Ouro Preto), foi transferido hoje, 13/11, do apartamento comum para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratamento de quadro infeccioso.
Fernando Ouro Preto deu entrada no HSL na manhã de 01/11, com quadro de leve traumatismo craniano e
fraturas nas costelas.
O paciente está sob os cuidados da equipe médica chefiada pelos Drs. David Uip e Nabil Mitre.
Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira Dr. Riad Younes
Diretor Técnico Hospitalar Diretor Clínico
Obrigado um milhão de vezes
6 de novembro
Olá Amigos,
Ontem saí da UTI, e vim para um quarto “quase” normal. Meu estado continua delicado, mas os
cuidados não precisam ser tão intensos quanto antes.
Lentamente, começo a me lembrar do que aconteceu, e a cada minuto me sinto um pouco melhor.
A recuperação é muito lenta, difícil e extenuante, mas é um alívio poder perceber que estou sendo levado
pelo caminho certo. A minha família, os médicos e os enfermeiros tem tido um comportamento
que me enche de lágrimas – literalmente.
Eu continuo de cama, mas hoje começo a fisioterapia. A partir deste dia, tenho confiança numa
determinada caminhada rumo ao meu restabelecimento.
Ontem, eu e Maria, passamos o dia lendo textos e mensagens enviadas por familiares e amigos.
Algumas são bizarras, algumas são engraçadas, mas todas são emocionantes.
Gostaria de poder ter tempo e espaço para responder cada uma delas; afinal sei que elas são fruto da
ligação que vocês tem comigo.
Sei de sua importância e agradeço muito. Mesmo sem poder citar trechos de mensagens, eu gostaria
de poder mandar um beijo especial para Simone, Madjara e Cris, que escreveram três cartas muito
inspiradas.
Eu queria que vocês soubessem que só o fato de postar esta mensagem foi um assunto bastante
controverso entre a direção do Capital, a sua assessoria de imprensa e eu.
No entanto, acho muito importante vocês saberem de mim a extensão do meu acidente e da minha gratidão.
O maior estímulo à minha volta foram as milhares de mensagens que chegaram do Brasil todo.
Eu estou e sempre estarei profundamente emocionado e agradecido.
Não tenho vergonha de tornar públicas minhas posições e sentimentos. Se aos poucos estou cada
vez melhor, é graças ao entusiasmo dos nossos fãs, companheiros e familiares.
Mesmo que eu viesse a viver 200 anos jamais teria como agradecer o suficiente.
Mas mesmo assim, obrigado um milhão de vezes.
Dinho Ouro Preto.
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Carta aberta escrita pelo Dinho aos fãs
4 de novembro
“Caros amigos, em primeiro lugar, agradeço a consternação e preocupação pelo meu estado de saúde.
Gostaria de dizer que todo dia me sinto um pouco melhor, no entanto, estou na UTI e continuarei aqui até sábado
em observação.
O que aconteceu foi grave, mas tenho plena consciência de que poderia ter sido muito pior. Cai de um palco de 3 metros de altura e só não morri porque fui amparado pelos fãs. Voluntariamente ou não.
Quebrei três costelas, trinquei seis vertebras, levei cinco pontos no queixo, machuquei meus rins, minha cabeça e
meus dentes.
Tenho dificuldade de me concentrar, de abrir os olhos – a luz me incomoda. Portanto, nao posso receber visitas de todos que comparecem ao hospital.
Por fim, quero reiterar o agradecimento à solidariedade e às mensagens que vêm dos quatro cantos do País.
Isso não pára de me lembrar qual o propósito da minha vida: nossos fãs.
Muito obrigado,
Amo vocês e estarei logo melhor
Pensamento positivo!
Dinho”
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COMUNICADO OFICIAL – 02/11/09
1 nov
Passadas as primeiras horas de sua observação, Dinho Ouro Preto, nosso vocalista segue internado no
Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo,
com quadro de leve traumatismo craniano e pequenas fraturas nas costelas. Dinho passa bem, lúcido e se
alimenta normalmente.
A Família e a banda agradecem aos fãs e a todos que enviam mensagens de força e carinho.
Nesse momento, Dinho precisará do apoio de
todos para que consiga descansar com o máximo de tranqüilidade possível para que a recuperação
seja rápida como todos desejam.
Por essa razão, os shows de Uberlândia-MG (Parque do Sabiá festival – 07 de novembro),
Fortaleza-CE (Siará Hall – 13 de novembro), Mossoró-RN
(Estação das Artes festival – 14 de novembro), São Jerônimo-RS (Ginásio Municipal – 20 de novembro)
e Juiz de Fora (Expominas festival – 28 de
novembro) foram cancelados.
Abaixo, boletim médico oficial emitido pelo Hospital.
Obrigado.
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BOLETIM MÉDICO
02/11/09
16h00
O vocalista da banda Capital Inicial, Fernando Ouro Preto (Dinho), foi internado na manhã de ontem (01/11)
na Unidade de terapia Intensiva, do
Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, com quadro de leve traumatismo craniano e pequenas fraturas
nas costelas.
Após realização de exames na manhã desta segunda-feira (02/11), os resultados mostraram melhoras no
quadro clínico. Dinho permanecerá internado
para monitoramento e realização de novos exames.
O paciente está sob os cuidados da equipe médica chefiada pelos doutores Nabil Mitre e
Guilherme Schettino.
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profissionalismo, pelo atendimento pessoal e personalizado, que tem como missão, suprir os usuários com os melhores e mais
atuais recursos técnicos, e tratá-los, antes de tudo, como pessoas a serem respeitadas, atendidas com um relacionamento pessoal e único.
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